Sobre a RAMA

“Há quatro anos, quem imaginava que hoje a gente poderia estar mandando quatro toneladas de alimento para São Paulo? Imagina? Nós começamos de mansinho, devagarinho, e agora está essa enorme evolução das coisas, de mulheres, de venda, de conhecimento, de amizade”

Maria Izaldite
Agricultora do grupo Esperança, do Bairro Bela Vista.

Os alimentos ofertados pela RAMA são produzidos com base na agricultura agroecológica e nos saberes e fazeres da agricultura tradicional familiar e quilombola. 

Ao mesmo tempo, na cidade, grupos de militantes e ativistas que se organizam conosco na Rede de Grupos de Consumo Responsável da Grande São Paulo já se articulavam em busca de alimentos agroecológicos e estavam se consolidando em redes. Não havia tantas ofertas de cestas agroecológicas como agora, e, por isso, era necessário todo um movimento para contatar agricultores e agricultoras, organizar a produção, pensar logísticas…

O que você alimenta quando se alimenta?

Tudo isso para democratizar o acesso à alimentos saudáveis e livres de veneno, inclusive nas periferias, e para repensar o consumo, entendendo a alimentação como um ato político. Posicionando-se contras as grandes redes de supermercados que superfaturam os alimentos, um dos lemas da rede é: o que você alimenta quando se alimenta? 

Por isso, as redes apostam na relação de compra direta, que paga o preço justo para as agricultoras, e também no trabalho coletivo, que reduz ao mínimo os custos da distribuição. É uma tarefa difícil nas grandes cidades, que exige comprometimento e vontade política. São muitas reuniões para este processo acontecer: detalhar a logística, identificar caixas de alimentos, criar acordos coletivos de funcionamento… Isso tanto para as mulheres agricultoras e quilombolas da RAMA como para os consumidores e consumidoras responsáveis.

O trabalho em campo foi interrompido em março de 2020 devido à pandemia do coronavírus, mas seguimos trabalhando em rede, mobilizando campanhas de solidariedade, acolhendo pedidos de companheiros comprometidos na causa de distribuir alimentos para muitas comunidades. O resultado desse trabalho é que, desde o início da pandemia, o volume das entregas da RAMA aumentou em quantidade de alimentos e na diversidade de pessoas que querem conhecer a rede e se alimentar dos frutos dessa luta. Grande parte deste volume de compras tem sido direcionado para ações de solidariedade na cidade. A comida é comprada por coletivos que distribuem esta comida gratuitamente para a população periférica, comunidades tradicionais, escolas que direcionam o alimento para as crianças que estão sem merenda, movimentos de moradia, imigrantes, entre outros. 

Mais de 7 toneladas de alimentos da RAMA já foram distribuídos, e as campanhas continuam acontecendo. Se, por um lado, as e os consumidores da rede não podem encontrar as agricultoras, por outro, elas nunca estiveram tão presentes na cidade, na mesa de tantas pessoas. As ações também demonstram o compromisso dos grupos de consumo de fazer a comida chegar em quem mais precisa: a maioria das pessoas beneficiárias das campanhas são mulheres e pessoas negras. 

Saiba mais assistindo ao vídeo abaixo: